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Epocal

noviembre 4, 2013

 

Quisiera siempre, siempre, siempre vivir de esto.
Tener un sueldo estable como traductor de poesía.
Un sueldo apretujado tanto o más que los versos
que quisiera traducir, de Melo Neto o de Ezra Pound,

pero un sueldo al fin y al cabo. Quisiera tener plata
para vivir de mi trabajo. Que me encarguen estudios, antologías
siempre, siempre… Y yo sólo iría escribiendo dos poemas al mes
y una vez al año una ráfaga, cerca de veinte poemas, para las vacaciones.

Quisiera siempre, siempre, siempre vivir de esto.
Que las editoras comenten: ¡este tipo nació para traducir poesía!
Que llame Leonard Cohen diciendo: “Eres el indicado, everybody knows!”
Que llame Caetano furioso: “Seu filho da puta, ¡yo nunca escribí eso!”

 

EPOCAL
(tradução de Luiz Roberto Guedes)

 

Eu gostaria de sempre, sempre viver disso.
Ter um salário fixo como tradutor de poesia.
Um salário apertado tanto ou mais do que os versos
que gostaria de traduzir, de João Cabral e de Ezra Pound,

mas um salário, ao fim e ao cabo. Eu gostaria de ter grana
para viver do meu trabalho. Que me peçam estudos, antologias
sempre, sempre… E eu só escreveria dois poemas por mês
e a cada ano uma lufada de uns vinte poemas, durante as férias.

Eu gostaria de sempre, sempre viver disso.
Que as editoras comentem: “esse cara nasceu para traduzir poesia!”
e o Leonard Cohen ligue dizendo: “Você é o indicado, everybody knows!”
e o Caetano ligue furioso: “Seu filho da puta, eu nunca escrevi isso!”